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PREMIÉRE MUNDIAL
O anúncio de um experiência de Clonagem Humana

Empresa biotecnológica da Califórnia demonstrou publicamente um processo que poderá criar em laboratório células estaminais embrionárias humanas. O objectivo é o desenvolvimento de uma nova indústria terapêutica. O sector vive um período de optimismo tecnológico.

Uma conversa com o cientista no meio desta "premiére" mundial: Samuel Wood, CEO da Stemagen

Artigo em destaque:
Revista Stem Cells, Fevereiro 2008
"Development of Human Cloned Blastocysts Following Somatic Cell Nuclear Transfer with Adult Fibroblasts"

A primeira "clonagem" de uma célula humana adulta terá sido concluída com êxito por uma empresa de biotecnologia de La Jolla, na região de San Diego, na Califórnia, que publicou os resultados e as próprias etapas do processo na edição de Fevereiro da revista científica Stem Cells, agora disponível.

Depois de várias tentativas por outros cientistas desde 2001, que geraram polémica na comunidade académica e falta de confirmação independente, a "clonagem" realizada pela Stemagen, e orientada por Samuel Wood, CEO da empresa, e Andrew French, responsável científico, surge documentada com detalhe, com cobertura de um painel de revisores e com verificação da veracidade da "clonagem" por um laboratório independente, o Genesis Genetics.

O processo partiu da doação de uma célula pelo próprio Wood envolvendo, depois, 25 ovócitos maduros "excedentários" doados por mulheres em tratamento de infertilidade no Reproductive Sciences Center, em La Jolla. A partir daí, com as técnicas da Stemagen, foi possível "clonar" em cultura cinco blastócitos, concluindo-se, assim, a etapa inicial de um projecto de futura criação em laboratório de células estaminais embrionárias humanas capazes de se auto-reproduzir.

Os blastócitos ficam a meio caminho do embrião. Por isso, alguns críticos logo replicaram que ficar a meio caminho não é a descoberta revolucionária que se exige. Saberia a pouco - e, sendo assim, para quê tanto alarido. No entanto como a empresa não é cotada em bolsa alguma (ao contrário de outras que fizeram grandes anúncios no passado), as habituais suspeitas de truque financeiro não se levantaram.

"Até à publicação desta nossa investigação não se sabia se era possível realizar com êxito esta primeira fase", refere-nos Samuel Wood, retorquindo aos críticos "apressados". Recorde-se que tentativas anteriores por outras equipas de cientistas não haviam garantido uma produtividade adequada para esta geração de blastócitos ou foram dadas como fraudes (como o caso do cientista Hwang Woo Suk, em 2005, na Coreia do Sul). A Stemagen fala de uma produtividade de 20% nesta primeira experiência e garante que, já depois do anúncio, melhorou inclusive a eficiência, resultados que irá publicar, em breve.

Transparência aquece corrida

Com a técnica documentada, a Stemagen espera, agora, passar à segunda fase. Ou seja, ao milagre mediático esperado: com a massa celular interna dos blastócitos clonados poder-se-á criar as famosas linhas de células estaminais e, de novo, documentar este processo com uma supervisão transparente de um painel científico. No entanto, Wood admite-nos que a corrida pode ganhar mais velocidade a partir de agora: "Como documentámos cuidadosamente a nossa investigação, indo até à descrição de como fazer os procedimentos que realizámos, é admissível que cientistas talentosos, em todos os cantos do mundo, possam pegar nessa informação que disponibilizámos e replicar os nossos resultados".

Este anúncio vem na sequência de um conjunto de investigações científicas em torno da biotecnologia com aplicações humanas que disparou desde o conhecido projecto de sequenciação do genoma humano em 2001. Rapidamente, um sector emergente de investigação liderado por empresas privadas se posicionou no terreno e vive um período de optimismo tecnológico.

A década em curso parece assistir a uma aglomeração gradual de descobertas que podem vir a prefigurar uma revolução tecnológica tão importante - e tão radical - como a desencadeada pela demonstração do efeito do transístor em 1947, que abriria as portas para a computação e mais tarde para a internet e a Web.

FAST INTERVIEW
2 Perguntas a Samuel Wood, CEO Stemagen
P: Devido à enorme 'espuma' mediática em torno da clonagem humana desde 2001, que arrastou capas especulativas nas revistas Time e Wired, a comunidade científica está sempre muito desconfiada. Como se protegem dessa tentação?
R: Precisamente por causa disso, temos sido extremamente cautelosos. Só publicamos os nossos resultados depois de uma revisão e verificação completa por terceiros. Por isso, também, em virtude do cepticismo que à partida esperávamos, resolvemos que os nossos processos e documentação fossem transparentes. Creio que apresentámos um volume irrefutável de dados que qualquer um pode verificar.
P: Com o temor sobre a clonagem humana reprodutiva - ou seja, a surpresa de um dia destes alguém apresentar em conferência de imprensa uma "Dolly" humana -, como vêem o futuro desta indústria emergente?
R: Nós estamos na área da clonagem humana terapêutica a partir de células estaminais embrionárias, o que encerra grandes esperanças no tratamento para milhões de vítimas de doenças degenerativas - como Parkinson ou Alzheimer - e de problemas de nascença.

© Gurusonline, Jorge Nascimento Rodrigues, 2008

 
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