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A principal exportação americana

Não é software, nem armas, nem capitais, nem guerras pela hegemonia. É inflação. Diz Peter Schiff, autor de 'Crash Proof'

Jorge Nascimento Rodrigues com Peter Schiff, Março 2008

Sítio da EuroPacific
Livro Crash Proof

IDEIA-CHAVE

A inflação tornou-se uma questão geopolítica. Schiff diz, por graça, que a inflação é hoje a principal exportação 'made in USA'. Os Estados Unidos tornaram-se, por isso, do ponto de vista económico e financeiro, "um castelo de cartas". Quando os asiáticos e os árabes largarem o dólar, "toda a economia americana entrará em colapso", conclui Schiff. É essa a prenda envenenada para o próximo presidente americano.

Os americanos andavam distraídos com o "subprime", mas repentinamente começaram a sentir o disparo no índice de preços ao consumo. Inevitavelmente, a alta imparável das "commodities" (energéticas, minerais em geral, alimentares) nas bolsas em que são negociadas, começou a reflectir-se no dia-a-dia americano.

A polémica estalou mesmo em torno do índice de preços - a administração americana desdramatiza e discutem-se diversos índices com diferentes valores. O mais acarinhado pela administração Bush é o designado por "índice de preços ao consumo para todos os consumidores urbanos" (abreviadamente CPI-U), que já estaria nos 4,3% ao ano (1) - superior ao europeu (3,4% para a União Europeia a 27) e ao português (2,9%) (2).

Nuvens negras

Os críticos olham para 'dentro' desse CPI-U americano e vêem nuvens negras: 19,6% de aumento nos preços da energia (no caso da UE27 estará nos 9,7%, menos de metade), o que não é para espantar com o preço do barril de crude negociado na América no patamar dos 100 dólares. Se a inflação for avaliada em termos de taxa composta anual a três meses, o índice já estará nos 6,8%, com 43,6% na área da energia e 22,3% na área dos transportes. Mas outros analistas chamam à atenção para o índice de variação de preços na produção - nesse caso, os produtos acabados subiram 7,4%, os intermédios 8,8% e as matérias-primas 31,3% (3).

Esta dinâmica inflacionária levou inclusive já os presidentes das Reservas Federais dos diversos estados que compõem a Federação americana, a deixarem a porta aberta para pressionarem, no futuro, Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal (central), a uma inversão de política na questão da continuação da baixa das taxas de juro (que estão já em níveis negativos). Se o farão já na reunião de 18 de Março é o que está para se ver.

Mas nada disto deveria surpreender, diz o analista Peter Schiff, presidente da Euro Pacific Capital, autor de um livro intitulado sugestivamente 'Crash Proof: How to profit from the coming economic collapse'. Os americanos estão a sofrer um efeito "boomerang" da política da Reserva Federal e da Administração - algo que Schiff avisou desde o início do ano passado, antes de rebentar o escândalo do "subprime". O seu reverso é o colapso do dólar face a várias moedas, nomeadamente ao euro (que, durante este mês, já ultrapassou a fasquia psicológica do 1,5 dólares por cada moeda europeia), apesar do discurso oficial de que os EUA defendem um 'dólar forte'.

Uma questão geopolítica

O efeito "boomerang" advém do facto dos países cujas divisas estão indexadas ao dólar começarem a estar no limite da sua capacidade de ginástica de suportar a política financeira e económica americana. As principais vítimas da desvalorização galopante do dólar têm sido os asiáticos e os árabes que vivem dos export-dólares ou dos petrodólares. A contrapartida para o suporte político ao dólar, é a importação da inflação para a economia doméstica.

Os países do Golfo revelam taxas que não eram observadas há bastante tempo: 14% no Qatar, 12% nos Emirados Árabes Unidos, 6,5% na própria Arábia Saudita (depois de uma década de inflações abaixo de 1%). Na Ásia, a China, a locomotiva económica actual do mundo, revela índices oficiais de 7,1% e a Índia de 6,6%. O alarme geral soou, diz Schiff. O Kuwait foi o primeiro a sair da indexação ao dólar em Maio de 2007. Fala-se que, para Abril, poderá haver novidades no Conselho da Cooperação do Golfo (que abrange seis países exportadores de petróleo daquela região). Alan Greenspan, o ex-presidente do FED, incitou os árabes a optarem por um regime de flutuação das suas divisas, numa conferência em Jedá (perto de Meca) em finais de Fevereiro.

A inflação tornou-se, por isso, uma questão geopolítica. Schiff diz, por graça, que a inflação é hoje a principal exportação 'made in USA'. Os Estados Unidos tornaram-se, por isso, do ponto de vista económico e financeiro, "um castelo de cartas". Quando os asiáticos e os árabes largarem o dólar, "toda a economia americana entrará em colapso", conclui Schiff. É essa a prenda envenenada para o próximo presidente.

Que conselhos dá, então, Peter Schiff aos investidores no meio desta turbulência? Três: 1) Redireccione o seu portefólio das acções americanas para outras estrangeiras com maiores dividendos; 2) Compre metais preciosos, ouro e prata, e invista em acções nas empresas desses sectores, bem como em "commodities" que se estejam a valorizar; 3) Mantenha a sua liquidez assente em divisas mais fortes, permitindo-lhe ter capacidade para comprar bons activos no futuro a preços de desconto.

(1) Dados do Departamento de Trabalho dos EUA.
(2) Dados do Eurostat sobre os Índices harmonizados de preços ao consumidor.
(3) Dados do Departamento de Trabalho dos EUA.

FAST INTERVIEW
Perguntas a Peter Schiff
Autor de 'Crash Proof'
P: Em que condições poderão os asiáticos e árabes largar a ligação das suas moedas ao dólar americano?
R: Penso que essas condições estão reunidas. Quanto mais o adiarem, mais alta será a inflação nos seus países, com um potencial para problemas sociais graves.
P: A própria política americana de 'exportar' a inflação parece agora começar a fazer "boomerang"?
R: De facto, alguma da inflação que até aqui exportávamos, está a ser devolvida e a começar a magoar-nos. E esta situação só pode piorar. Provavelmente, quando os asiáticos e os árabes largarem a indexação ao dólar, a inflação na América irá disparar. Não será surpresa nenhuma.
P: Qual o seu conselho aos investidores?
R: Das três coisas que aconselho no meu livro, uma é muito clara: mantenha as suas aplicações em dólares no mínimo possível. Ouro, prata, francos suíços, dólar de Singapura, mesmo euros, é uma boa opção.
 
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