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A ameaça do software ao emprego qualificado

Richard Samson fala da "buzzword" que criou: off-peopling.

«Off-peopling» é a nova 'buzzword' para o desemprego provocado pelos sistemas e produtos da sociedade de informação nos trabalhadores qualificados. A prazo, é mais grave do que a fuga de empregos para a Ásia. É mais um tiro na classe média dos países e regiões desenvolvidas.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de Gurusonline.tv, Abril 2005

Sítio do EraNova Instittute | Contacto de Richard Samson
Entrevista em inglês em Gurusonline.tv

Os americanos começaram a agitar-se com uma nova "buzzword". A polémica sobre o "off-peopling" invadiu os "blogs" e os portais na web. O termo é intuitivo - o desemprego. Só que não se trata da fuga de postos de trabalho fabris ou de serviços para países de custos mais baratos, o que tem sido designado por "deslocalização" e "off-shoring". Nem diz respeito, apenas, aos efeitos da primeira vaga de automatização fabril - com os robôs a despedirem operários - ou de serviços - com os bancários a serem substituídos pelo "multibanco". Este "off" refere-se a uma nova vaga - a da invasão dos frutos mais recentes da sociedade da informação nos empregos baseados no conhecimento.

A intrusão do software nos segmentos mais qualificados dos colarinhos brancos, com a promessa de um mundo novo em áreas como o ensino, a prestação de cuidados de saúde e cada vez maior número de funções empresariais, vai fazer disparar o desemprego e subemprego nas próprias fileiras dos trabalhadores do conhecimento nos próximos 20 anos. O impacto na almofada social das democracias - a classe média - vai ser arrasador.

O alarme foi dado por um futurista que se recusa a ser etiquetado de "ludita" do século XXI. "Os sistemas electrónicos entraram, agora, no espaço mental do trabalho. A inteligência artificial e a vida artificial começaram a ocupar-se de tarefas criativas e complexas. Ironia do destino, as primeiras actividades baseadas no conhecimento a serem afectadas por esta vaga são as próprias profissões ligadas às tecnologias de informação", afirmou-nos Richard Samson, director de um "think tank" de New Jersey, o Instituto Nova Era, e "pai" da nova "buzzword". Samson é conhecido por popularizar os seus "exercícios mentais" na Reader's Digest e pelos seus estudos sobre a transformação social do trabalho e da vida divulgados em múltiplas revistas da área das tecnologias de informação.

Para Samson, a intrusão do software nos segmentos mais qualificados dos colarinhos brancos, com a promessa de um mundo novo em áreas como o ensino, a prestação de cuidados de saúde e cada vez maior número de funções empresariais, vai fazer disparar o desemprego e subemprego nas próprias fileiras dos trabalhadores do conhecimento nos próximos 20 anos.

O impacto na almofada social das democracias - a classe média - vai ser arrasador. "O 'off-peopling' afecta e afectará muito mais decisivamente do que o 'outsourcing' e o 'off-shoring'. É a tendência mais pesada que está em curso - contudo os media só estão sintonizados com a fuga do trabalho para a Ásia", comenta Samson, que lançou, há um ano, um livro sugestivamente intitulado Mind over Technology, editado pela BookSurge Publishing, um livro que em formato electrónico está disponível gratuitamente.

O coração ferido

Os optimistas têm argumentado que a deslocalização fabril e de serviços deixa aberta a porta para o trabalho baseado no conhecimento e para a melhoria das qualificações da força de trabalho nos países e regiões desenvolvidas. Robert Reich, o ex-ministro do Trabalho de Bill Clinton, garantia na edição de Abril da revista Harvard Business Review ("Plenty of Knowledge Work to go around", secção Opinion, pág.17, HBR April 2005) que "resta imenso trabalho baseado no conhecimento", criticando os pessimistas. Formação, formação, formação tem sido a palavra de ordem para enfrentar este problema.

Formação, formação, formação tem sido a palavra de ordem para enfrentar este problema. Mas, com a vaga de automatização é "o coração deste argumento que é atingido". A estratégia não se pode ficar pela ideia comum da aquisição de novas competências e capacidades laborais baseadas no "know how" e no conhecimento explícito.

Mas, com a vaga de automatização, diz Samson, é "o coração deste argumento que é atingido". A estratégia não se pode ficar pela ideia comum da aquisição de novas competências e capacidades laborais baseadas no "know how" e no conhecimento explícito. "Isso está sendo transferido para os sistemas electrónicos que estamos a criar", sublinha-nos. O decisivo é entender quais são as competências e capacidades mentais que "com precisão podem ser definidas como distintas da automatização". O futurista fala da "inspiração e imaginação, descoberta, responsabilidade e ética". É nesta base que Richard Samson baseia a sua actividade de consultoria junto de multinacionais e de fazedor de opinião nos media e no sistema de ensino norte-americanos.

 
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