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As virtudes do fracasso e o segredo da longevidade

O economista inglês Paul Ormerod provoca os gurus da gestão e os CEO auto-convencidos. Autor do Livro do Ano 2006 pela Business Week

"O segredo da longevidade na economia de mercado é o mesmo que na sobrevivência e evolução das espécies: flexibilidade, velocidade na capacidade de adaptação, pragmatismo face ao que falha e ao que resulta"

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de Gurusonline.tv, Agosto 2007, com Paul, no intervalo de escalar Liathac, um dos muitos picos no norte montanhoso e gélido dos 'Munros' da Escócia

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Encomenda do livro Why Most Things Fail - Evolution, Extinction and Economics

É muito difícil na economia de mercado "planear" o que triunfa. O inesperado é inerente ao sistema capitalista, apesar dos gurus de management carregados de receitas e dos CEO auto-convencidos. E uma das suas "leis biológicas" é o fracasso - o falhanço é essencial para a emergência do sucesso.
Temos de estar, por isso, psicologicamente preparados para esperar fracassos e não alimentar arrogância na gestão, recomenda o economista inglês Paul Ormerod, 57 anos, autor de três livros heterodoxos, o último dos quais 'Porque razão a maior parte das coisas falha - Evolução, Extinção e Economia' ('Why Most Things Fail - Evolution, Extinction and Economics', editado pela Faber & Faber, no Reino Unido, e considerado livro do ano pela Business Week em 2006).

A roleta de Darwin

O segredo para enfrentar a roleta do mercado é exactamente o mesmo que permitiu a evolução das espécies: flexibilidade, capacidade rápida de adaptação tanto ao que falha como ao que resulta. O pragmatismo e a velocidade são ingredientes fundamentais na formulação estratégica empresarial. Dito de outro modo: "Eu sublinharia, primeiro a capacidade de aceitar que algumas das coisas que tentamos não funcionam de todo. E, segundo, a agilidade para abraçar muito rapidamente aquilo que resulta", respondeu-nos Ormerod, no intervalo de escalar Liathac, um dos muitos picos no norte montanhoso e gélido dos 'Munros' da Escócia.

Nada que um inglês famoso de nome Charles Darwin não tenha dito há quase 150 anos, reconhece Ormerod, que vê no "paralelismo" com a biologia uma boa ajuda para os gestores: "À parte a sorte, eu diria que, acima de tudo, o segredo é a flexibilidade face a um ambiente externo em permanente mudança". E prossegue, sacudindo o fatalismo e o pessimismo: "O fracasso beneficia o sistema no seu todo". A virtude do fracasso traduz-se na saudável atitude de "tentar e testar". "Pela experimentação - diz este fundador de uma empresa de consultoria londrina - as pessoas descobrem produtos e mercados que são muito melhores do que havia antes. Sem dúvida que muitas experiências terminam em rotundos falhanços, mas só por esse caminho podemos dar grandes saltos".

A síndrome soviética

Ormerod, por isso, acautela os gestores contra os exageros do planeamento estratégico, alertando para a 'síndrome soviética': "Sem dúvida, que as empresas têm de ter uma visão sobre o que querem ser. Mas nunca deverão cair na armadilha de pensar que o plano é a realidade. Na maior parte das vezes, os resultados são diferentes das intenções do plano. O grande risco é focalizar-se excessivamente no plano, reduzir a flexibilidade, a capacidade para responder a surpresas, boas e más".

Um dos exemplos contemporâneos, de antologia, que ele gosta de citar é o da empresa de Bill Gates. O Windows esteve para ser praticamente abandonado... até que a 3ª versão resultou inesperadamente. "Se a Microsoft domina hoje, isso deveu-se a uma série de acidentes, não a uma estratégia cuidadosamente planeada por algum iluminado. O que a Microsoft fez foi reagir rapidamente e com flexibilidade", conclui Ormerod, acampado, agora, no cabo Wrath, perto de Durness, no extremo norte da Escócia.

PERFIL

Infectado pela física e pela biologia
É um dos economistas heterodoxos

Paul Ormerod tornou-se notado com dois livros que agitaram o meio dos economistas: 'The Death of Economics' (1994, traduzido em 10 línguas e que inspirou inclusive... uma banda desenhada na Indonésia) e 'Butterfly Economics' (1998). Ambos são ataques a visões convencionais da macroeconomia, e ganharam por isso uma hostilidade aberta da classe dos economistas. Ele pertence à Associação da Economia Heterodoxa (Association for Heterodox Economics).

Paul estudou em Cambridge e Oxford no Reino Unido, tendo desenvolvido uma carreira na prospectiva (cenarização do futuro) quer no sector público como privado. Chegou a liderar a Unidade de Análise Económica da revista inglesa The Economist. Em 1998 fundou com Bridget Rosewell a firma Volterra Consulting, em Londres, inspirado na ideia de mudar a forma como a consultoria económica é feita.

'Why Most things fail' (2005) é a mais recente obra do consultor inglês que, ao longo do seu trabalho na última década e meia tem alinhado na "escola" das teorias da complexidade. Ormerod fala mesmo que nasceu uma nova espécie - o 'econofísico', que resultou da invasão crescente da física nos temas da economia. Aliás similar invasão se tem dado em relação ao management e à história. A par da física é a biologia que mais tem "infectado" os economistas irrequietos.
 
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