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A Morte do Advogado do Diabo

O método do "contra" narrado no romance de Morris West em 1959 é hoje considerado uma força de bloqueio da inovação pelo guru californiano do design, Tom Kelley, director-geral da IDEO, a líder do "design thinking" na América

O romancista Morris West nunca imaginou que a personagem que criou há quase 50 anos pudesse ser tão corrosiva da inovação

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Janeiro de 2006

Links de referência:
IDEO
Apresentação do Livro The Ten Faces of Innovation
Artigo e entrevista em Palo Alto em 2001 com Tom Kelley sobre The Art of Innovation

Originais em inglês:
Entrevista em Gurusonline.tv sobre The Ten Faces of Innovation
Entrevista sobre a IDEO (2001)

Gadgets de referência:
Life Port Kidney Transporter exibido no MOMA em Nova Iorque
Money-Maker Depp Lift Pump no quadro do projecto Tools to End Poverty
O primeiro "rato" da Apple

Ambientes criados pela IDEO:
Projecto com Stanford de ambiente de ensino
O cubículo de Dilbert (a história contada pela CNN)
O cubo interactivo na sede da Vodafone em Lisboa (Portugal)

Capa do livro The 10 Faces of InnovationMate o advogado do Diabo que há em si ou na sua organização. Os negativistas são a maior força de bloqueio da inovação. "Todos conhecemos o 'bicho'. No meio de um debate, no auge da emergência de uma nova ideia ou proposta arrojada, aparece alguém, entre os calados, que se levanta e pronuncia a frase assassina: 'Por um minuto, deixem-me fazer de advogado do Diabo'. Não há momento mais desastroso", diz-nos Thomas (Tom) Kelley, considerado o ideólogo da IDEO, a empresa de design criada no Silicon Valley, descoberta nos anos 1990 pelo guru Tom Peters e elogiada como o supra sumo da inovação americana.

O personagem corrosivo em questão foi magistralmente descrito pelo falecido novelista australiano Morris West em 1959. O advogado do Diabo vestia, no "thriller" vaticanista de Morris, a pele de um padre inglês com a missão de escalpelizar o processo de canonização de um tal Giacomo Nerone. Despido da batina, o vírus parece ter-se "tornado uma moda na América empresarial", diz Kelley, irmão do fundador da IDEO e seu actual director-geral.

«Não argumento contra o pensamento crítico ou o debate acalorado. Inclusive usamo-los abundantemente nos nossos processos de inovação dentro da IDEO e com os clientes. Sou contra o uso e abuso cínico de uma postura negativista, sempre no bota-abaixo, nos momentos críticos, que nunca sugere alternativas ou opções construtivas».

Questionado sobre se essa azáfama contra os desmancha-prazeres não é um convite ao desenvolvimento de uma cultura de "yes-men" (profundamente anti-inovação), Kelley reage: "Não argumento contra o pensamento crítico ou o debate acalorado. Inclusive usamo-los abundantemente nos nossos processos de inovação dentro da IDEO e com os clientes. Sou contra o uso e abuso cínico de uma postura negativista, sempre no bota-abaixo, nos momentos críticos, que nunca sugere alternativas ou opções construtivas".

Face Humana

Kelley advoga, por isso, que vistamos a pele de dez outros personagens (ver caixa), essenciais na peça da inovação, "pois todos temos um pouco de advogado do Diabo no corpo, pelo que devemos desenvolver as atitudes positivas como antídoto". Chama-lhes "As 10 Faces da Inovação", o que deu título ao seu mais recente livro (The Ten Faces of Innovation: IDEO's Strategies for Defeating the Devil's Advocate and Driving Creativity Throughout Your Organization, editora Currency, 2005). Há cinco anos escreveu A Arte da Inovação (The Art of Innovation, também na Currency), onde divulgava os métodos usados na sua empresa. Agora fala da "face humana", das características em carne e osso indispensáveis para "acelerar a taxa de inovação nas organizações". Das dez que refere, se fosse obrigado a escolher apenas uma única, confessa que vestiria de bom gosto a pele do antropólogo: "Acredito piamente que a compreensão profunda do comportamento humano pode abrir a porta de todo o tipo de oportunidades de negócio".

«A maioria de nós tem ao seu alcance a possibilidade de desempenhar TODOS estes papéis».

Kelley admite que cada um esteja mais inclinado por uma ou outra característica, mas sublinha que "a maioria de nós tem ao seu alcance a possibilidade de desempenhar TODOS estes papéis". Tomar consciência deles, é o primeiro passo.

A IDEO reclama que esse corpo de dez faces a catapultou nos últimos vinte e cinco anos para a ribalta do design inovador na América. No princípio, apenas, no design de produtos - como o primeiro "rato" para os computadores pessoais Lisa e Macintosh, da Apple, em 1981, até ao elegante Palm V, de 1999, ou o mais recente transportador de rins, desenhado para a Organ Recovery System e que esteve exposto, recentemente, no famoso MOMA (Museu de Arte Moderna) de Nova Iorque.

Nos últimos anos, a IDEO passou do terreno do design industrial para se aventurar no que designa por "pensamento baseado no design" que aplica em múltiplos projectos para clientes, desde os novos ambientes de trabalho (como o Cubo Interactivo e a recepção do novo edifício da Vodafone, no Parque das Nações, em Lisboa, ou a brincadeira com o cubículo do Dilbert) e de ensino (como o projecto em curso com o Stanford Center for Innovation, no Silicon Valley), até à renovação do tecido urbano.

DEZ ACTORES PARA UMA MESMA PEÇA
 · Antropólogo
 Perito em intuição; em "ver" o que aos outros passa despercebido
 · Experimentador
 Teimoso em testar e voltar a testar soluções
 · Fertilizador
 Cruza informação e faz conexões entre coisas aparentemente distintas
 · Saltador de barreiras
 Incansável na resolução de problemas; determinado em confrontar desafios
 · Colaborador
 Fanático pelo trabalho em equipa e contra as "quintinhas" nas organizações 
 · Director
 Vê o todo, por isso sabe motivar e dirigir à sua volta
 · Arquitecto
 Cria espaços de interacção, de vivência dentro da organização;
 o dia de trabalho deve ser uma experiência positiva
 · Designer
 Sabe desenhar espaços onde há equilíbrio entre o privado e o colaborativo
 · Contador de Estórias
 Faz narrativas sobre o conhecimento existente na organização
 · Solícito
 Tem o dom da empatia para lidar particularmente com clientes e utentes
 
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