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Chegou a Guerra Cognitiva

É uma espécie de 'mão invisível' das potências e dos lóbis mais fortes, um conceito criado por Christian Harbulot, um especialista francês fundador da Escola de Guerra Económica em Paris

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de Gurusonline.tv, Novembro 2005

Entrevista em francês publicada no sítio Infoguerre.com
Encomenda do livro na Amazon.com | Versão em francês

5 Ideias-chave
  • As grandes empresas europeias habituaram-se a um mercado mundial dominado pelo Ocidente. Esse contexto mudou.
  • A dimensão geoeconómica retomou uma importância crescente na gestão
  • Falta sensibilizar a população "mais estratégica", os empresários, muito agarrados a uma visão ideológica das relações de força económicas
  • Os países que marcam pontos são os que conseguem desenvolver uma estratégia de potência geoeconómica para o médio e longo prazo
  • O Estado-estratego não é uma tolice, quer se trate de diplomacia económica ou informal. Hoje isso é visível na geoestratégia dos recursos críticos (hoje o petróleo, amanhã a água)
  • O campo de acção de dominação geoeconómica deslocou-se dos velhos métodos da "intelligence" económica, com a espionagem industrial e a recolha de informações secretas à mistura, para a "guerra cognitiva". Esta guerra de tipo novo junta uma série de ingredientes e personagens. Mistura a gestão do conhecimento com a arte dos "spindoctors" - os manipuladores de noticias e da imagem pública, artistas da nova contra-informação -, com as subtilezas dos responsáveis pela diplomacia económica aberta ou informal e com "a parte imersa do icebergue, o mundo opaco da finança", diz Christian Harbulot, 52 anos, o "pai" do conceito.

    É uma espécie de "mão invisível" das potências e dos lóbis mais fortes. É "o estádio supremo da inteligência económica, a expressão mais moderna da guerra prosseguida por outros meios, uma forma de guerra imaterial", como refere-nos este francês considerado o principal especialista europeu na matéria, que publicou recentemente A Mão Invisível das Potências. Os Europeus face à guerra económica e que se prepara para lançar em Janeiro uma obra colectiva sugestivamente intitulada Os caminhos da potência.

    Esta mudança acompanhou outras mutações "estruturais". O teatro de operações é outro - agora são a comunicação de influência, as ideias, os símbolos e o "lobbying" que fazem primeiro vítimas e vassalos. "Diferentemente das operações de propaganda ideológica que dominaram os grandes conflitos do século XX, agora a principal arma é o conhecimento. Trata-se de uma abordagem indirecta baseada na influência cognitiva", diz este licenciado em história. A nível das potências, o próprio campo de acção tende a mover-se da guerra - no sentido da violência como continuação da política de potência ou de posicionamento - para a geoeconomia, por efeito da "irrupção da China e em breve da Índia, uma emergência que está a modificar tanto a geografia das trocas internacionais como as próprias relações de força mundiais".

    «A variável 'geo' tem de entrar na função da gestão, tem de sensibilizar a população mais estratégica, os meios patronais, que continuam fechados numa visão muito ideológica e doméstica das relações de força económico-sociais ou ingenuamente agarrados ao perímetro ocidental de frases feitas, sem antecipar as novas formas de relações de força geoeconómicas.»

    Harbulot não considera que este tema seja exclusivo dos militares e de alguns políticos, apesar do seu livro ter colocado ao rubro a discussão na elite francesa castrense e dos estudos estratégicos. "A variável 'geo' tem de entrar na função da gestão, tem de sensibilizar a população mais estratégica, os meios patronais, que continuam fechados numa visão muito ideológica e doméstica das relações de força económico-sociais ou ingenuamente agarrados ao perímetro ocidental de frases feitas, sem antecipar as novas formas de relações de força geoeconómicas", sublinha o nosso interlocutor.

    Harbulot não vai ao ponto de sugerir a criação de um CGO (acrónimo na designação anglo-saxónica para chief-geoconomic officer, responsável pela geoestratégia, no mesmo sentido que há um CEO, chief-executive officer) no organigrama das empresas, mas fundou em Paris, com um general, a Escola de Guerra Económica, que funciona desde 1997, dirigida ao público empresarial.

    O livro destina-se, também, a agitar "os políticos de curto prazo", para a necessidade de uma estratégia de potência dos seus países, sobretudo quando são grandes ou médios. "A construção da Europa é ainda muito lenta e carregada de incerteza para tornar caduca uma reflexão geoestratégica sobre o papel de potência de uma nação como a França", confessa Harbulot. Aos pequenos países, a "geo" é fundamental para "preservar a margem de manobra", aconselha.

    CV rápido
    Christian Harbulot
    52 anos
    Fundador e director da École de Guerre Économique, em Paris
    Director da consultora Spin-Partners, em Paris
    Editor do sítio Infoguerre.com
    Na Web: www.ege.fr


    Versão em francês publicada no sítio Infoguerre.com

    De la Guerre Cognitive

    La guerre cognitive c'est le stade suprême de l'intelligence économique. C'est l'expression plus moderne de la guerre suivie par des autres moyens

    Une interview avec Christian Harbulot le principal théoricien européen de la nouvelle guerre "immatérielle"

    Review du livre "La Main Invisible des Puissances", juin 2005
    Preview de l'ouvrage collectif à paraître: "Les Chemins de la Puissance", janvier 2006

    Le champ d'action prioritaire, dans cette période de transition de cycle longue géopolitique, s'est déplacé de la guerre - dans le sens de violence comme continuation de la politique - pour la géoéconomie. Dans ce changement, l'intelligence économique a été substituée pour sa fille plus moderne, la "guerre cognitive", une espèce de "main invisible" des puissances et des lobbies les plus forts, et toutes les sphères du monde s'sont déjà concernées par cette mutation. L'homme au centre de cette nouvelle "buzzword" c'est le Français Christian Harbulot, un licencié en Histoire à l'Université de Paris VII. Il nous dit que la nouvelle guerre marque une différence majeure avec l'intelligence économique. C'est une des armes fondamentales de la diplomatie économique ouverte ou informelle, qu'on le veuille ou non, qu'on l'ignore ou le déplore les plus naïves.

    Le monde a passé d'une époque où le renseignement et l'espionnage industriel étaient rois à une autre où la communication, les idées, les symboles et le lobbying dominent et fait des "victimes" et des "vassaux". "La guerre cognitive ne traduit pas une volonté de persuasion par une argumentation directive mais une démarche indirecte fondée sur l'influence. La principale arme en est la connaissance. Dans cette guerre sans champ de bataille, le plus fort est celui qui oblige l'autre à accepter tacitement sa domination, sans coup férir", s'explique Harbulot dans l'interview à Gurusonline.tv.

    Harbulot a publié ce juin 2005 chez les Éditions Ellipses La Main Invisible des Puissances. Les Européens face à la guerre économique, un livre qui a bouleversé les élites françaises, en revenant sur le sujet de la dimension politique de puissance, un thème oublié ou discuté en sourdine dans les milieux politiques et des affaires. Surtout dans les milieux de la Défense nationale le débat aux mois d'Été a été très chaud en France. Harbulot argumente que la guerre cognitive c'est tant un sujet de défense nationale ou européenne, comme question de stratégie des affaires. Ce n'est pas seulement question pour les militaires ou politiciens, c'est aussi une affaire pour les PDGs et la globalisation des entreprises. La variable "géo" doit entrer dans la fonction du management. Harbulot ne vas pas jusqu'à suggérer pour le moment d'avoir un CGO (chief-geoeconomic officer) comme on' a déjà un CEO.

    Mais, if faut agir d'urgence, réclame Harbulot et son École de Guerre Économique, fondé à Paris en 1997 (dans la Web au site www.ege.fr). Et pour ça, il faut préparer les entreprises au défi des phénomènes de concurrence exacerbée et des manœuvres de diplomatie économique et aux nouvelles formes de rapports de force géoéconomiques. Cette guerre en cours se "choque" avec les stratégies de court terme, soit des politiciens pour sa réélection toutes les quatre années, soit des hommes d'affaires penchés sur le business au jour le jour ou restés ancrés dans une vision très idéologique et démodée des rapports de force économiques.

    Depuis la chute du Mur de Berlin et de la nouvelle géopolitique américaine au sujet des ressources stratégiques mondiales (poursuivit plus ouvertement par George W.Bush) et de l'émergence en particulier de la Chine, la culture de puissance est en train de revenir sur le devant de la scène et de s'imposer à nouveau. La guerre cognitive c'est une guerre immatérielle, qui fait appel à la maîtrise de l'économie de la connaissance, à des moyens opérationnels pour comprendre et dominer par le savoir le fonctionnement de la globalisation et de l'asymétrie de la réalité.

    Pour les pays européens encerclés comme une "sandwich" entre l'Amérique et les nouvelles grand-puissances émergentes de l'Asie, la discussion est à l'ordre du jour - ce n'est pas de la prospective lointaine, mais question très pragmatique, que les élites européennes maîtrise très mal.

    Christian Harbulot est aussi co-fondateur et directeur du cabinet Spin-Partners, spécialiste français en communication d'influence et gestion du risque informationnel. Spin-Partners, sur le model des "spin doctors", est né d'une fusion de deux cabinets en 2004. "Spin doctors" a entré dans le vocabulaire des PR (relations publiques) comme un mot pour les nouveaux spécialistes de la communication d'influence politique. "Spin" c'est un acronyme anglais pour "Significant Progress In the News", une technique des spécialistes de PR de la Strategic Defense Initiative de Ronald Reagan dans les années 1980. Christian dirige aussi le site Infoguerre.com créé en 1999.

    Interview par Jorge Nascimento Rodrigues, éditeur de www.gurusonline.tv. Une version adapté en portugais a été sortie à Expresso, l'hebdomadaire publié à Lisbonne.

    10 Idées clés
  • La dimension géoéconomique prend une importance croissante du fait du changement de contexte
  • Depuis la fin de la seconde guerre mondiale, les grandes entreprises s'étaient habituées à un marché mondial dominé par l'Occident et plus précisément par l'économie des Etats-Unis. L'irruption de la Chine et bientôt de l'Inde modifie à la fois la géographie des échanges mais celle des rapports de force
  • Il reste à sensibiliser la population la plus stratégique, à savoir les milieux patronaux qui en France en sont restés encore à une vision très idéologique des rapports de force économiques
  • La construction de l'Europe est encore trop lente et incertaine pour rendre caduque une réflexion de fond sur la puissance d'une nation comme la France et la manière de la faire évoluer
  • Les petits pays ont plutôt l'objectif de préserver une marge de manœuvre pour ne pas subir la loi du plus fort
  • Le patriotisme économique ne doit pas être confondu avec le nationalisme économique qui est une des causes de la naissance des régimes totalitaires du XXè siècle. Il est la condition sine qua non d'une réflexion stratégique sur le devenir d'un pays
  • Après le pétrole, c'est la fois de l'eau au centre des guerres économiques
  • Aujourd'hui, les pays qui marquent des points décisifs sont ceux qui ont su bâtir une stratégie de puissance géoéconomique sur le moyen/long terme. Les autres pays subissent de facto cette nouvelle configuration des relations internationales depuis la disparition des Blocs
  • La diplomatie économique est la face émergée de l'iceberg. Il ne faut pas oublier la face immergée. Le monde de la finance en constitue l'une des parties les lus importantes. C'est le monde le plus opaque et le moins contrôlé de l'ensemble de l'économie de marché
  • Avec le Web le faible a de nouveau les moyens de se battre contre le plus fort et même de vaincre celui-ci. Avec le Web, tous les acteurs économiques peuvent devenir des communicants directs
  • Vous pensez que la dimension "géoéconomique" doit entrer rapidement au cœur des stratégies de l'entreprise, surtout pour les groupes ou "start-up" de dimension globale? Est-ce que les directions générales et les chefs d'entreprise y sont préparés?

    Depuis la fin de la seconde guerre mondiale, les grandes entreprises s'étaient habituées à un marché mondial dominé par l'Occident et plus précisément par l'économie des Etats-Unis. L'irruption de la Chine et bientôt de l'Inde modifie à la fois la géographie des échanges mais celle des rapports de force. La dimension géoéconomique prend une importance croissante du fait de ce changement de contexte. La pénurie de certaines ressources, les risques de surproduction, les effets de la désindustrialisation d'une partie de l'Occident en créant notamment des dépendances qui n'existaient pas, le durcissement de la compétition en raison de la multiplication des pays industrialisés, sont autant de facteurs qui peuvent parasiter les stratégies des entreprises "globales". La France est sur ce point un cas d'école. Le pouvoir politique en est réduit à parler de patriotisme économique sans être capable de définir des stratégies de moyen et long terme, à force de concentrer son attention principale sur les stratégies purement électorales.

    «La guerre au terrorisme est une petite guerre par rapport aux efforts tous azimuts de la puissance géoéconomique américaine pour préserver sa suprématie mondiale. Il en est de même pour la Chine dans les efforts qu'elle déploie pour devenir une véritable puissance mondiale.»

    En période de transition dans le cycle long géopolitique (si on suit le raisonnement de George Modelski), la question de la "puissance" est-elle fondamentale pour la diplomatie économique?

    La problématique de la puissance n'a jamais cessé d'être au cœur des relations internationales. La fin de la guerre froide a sorti cette problématique du ghetto idéologique dans lequel l'avait enfermé la politique des Blocs. La course aux armements n'est plus aujourd'hui l'expression dominante de la puissance. Les enjeux sont désormais principalement économiques. Le président démocrate Bill Clinton l'avait dit dès 1994 : la priorité numéro de la politique étrangère des Etats-Unis est la défense de ses intérêts économiques. Le 11 septembre n'a rien changé à cet ordre des choses. La guerre au terrorisme est une petite guerre par rapport aux efforts tous azimuts de la puissance géoéconomique américaine pour préserver sa suprématie mondiale. Il en est de même pour la Chine dans les efforts qu'elle déploie pour devenir une véritable puissance mondiale.

    Est-ce que vous pensez que la Chine - avec sa diplomatie économique globale (le "go global" de la propagand) - et l'Inde sont plus avancées que l'Europe sur le sujet de la guerre économique?

    Ces deux pays vont devoir être très habiles dans la mesure où les Etats-Unis ne les laisseront pas croître en puissance au point de menacer leur suprématie. La Chine a certainement tiré des enseignements de ce qui est arrivé au Japon au début des années 1990. L'agressivité commerciale de l'ex-empire du Soleil Levant à l'égard de l'Occident fut stoppée par Washington par différents moyens (attaques répétées pour casser le protectionnisme invisible nippon, déstabilisation de son système bancaire, blocage se sa stratégie sur le technoglobalisme, limitation des jeux d'influence japonais dans le système politico administratif américain). La chute du mur de Berlin priva le Japon de l'objet de son chantage implicite à l'égard de l'Amérique. Les autorités gouvernementales américaines n'avaient plus à craindre le basculement de cet allié/ancien adversaire dans la sphère d'influence soviétique, au cas où les Etats-Unis n'accorderaient pas à Tokyo une marge de manœuvre significative dans la construction de la puissance économique nipponne.

    Retrouver le sens de puissance, est-ce un objectif pour des grands États (comme la Grande Bretagne, la France, et l'Allemagne) ou des États moyens (comme l'Espagne, et demain la Pologne) européens? Ou est-ce une affaire globale à traiter au niveau de l'Union Européenne? Quelle pouvait être la position des petits États, comme la Hollande, le Portugal ou la Finlande?

    Il n'est pas simple de retrouver le sens de la puissance. Précisions d'abord qu'il existe plusieurs formes d'expression de la puissance. Les Etats-Unis et peut-être la Chine sont des puissances qui cherchent à imposer une suprématie. La France, l'Allemagne et la Grande Bretagne qui ont été jadis des puissances importantes, cherchent aujourd'hui leur positionnement. Les petits pays ont plutôt l'objectif de préserver une marge de manœuvre pour ne pas subir la loi du plus fort. La construction de l'Europe est encore trop lente et incertaine pour rendre caduque une réflexion de fond sur la puissance d'une nation comme la France et la manière de la faire évoluer.

    Quelle définition donnez-vous au patriotisme économique?

    Le patriotisme économique ne doit pas être confondu avec le nationalisme économique qui est une des causes de la naissance des régimes totalitaires du XXè siècle. Il est la condition sine qua non d'une réflexion stratégique sur le devenir d'un pays. Si certaines élites cherchent leur salut en se mettant systématiquement au service du plus fort - La France a connu cette situation dramatique avec Pierre Laval entre les deux guerres et durant la seconde guerre mondiale -, elles accentuent les risques de déclin et d'affaiblissement de leur pays. Le contexte est certes très différent des années 1940, mais ce type de comportement n'a pas disparu. A droite comme à gauche de l'échiquier politique français, des personnalités influentes s'entretiennent naturellement une relation de une connivence avec la puissance la plus forte. Pour la plupart d'entre eux, ce comportement ne traduit pas une vision géostratégique de la France mais plutôt la volonté quasi pavlovienne de protéger leurs intérêts individuels. C'est ce qui explique la force du camp pro américain dans les milieux dirigeants de l'hexagone. Cette réalité rend très difficile la réflexion nécessaire sur la puissance.

    «Les Américains ne sont pas les seuls à mener une politique de puissance dans le domaine du pétrole. Il en est de même pour les Russes qui cherchent à sécuriser leurs richesses énergétiques ainsi que les territoires sus lesquels passent les conduites de pipe line. La politique énergétique de la Russie est l'expression la plus caractéristique de sa recherche de puissance depuis la chute de l'empire soviétique.»

    Le pétrole et demain l'eau seront-ils les étincelles des nouvelles guerres économiques?

    C'est déjà le cas. La guerre en Irak est une leçon de choses. Les Américains ne sont pas les seuls à mener une politique de puissance dans le domaine du pétrole. Il en est de même pour les Russes qui cherchent à sécuriser leurs richesses énergétiques ainsi que les territoires sus lesquels passent les conduites de pipe line. La politique énergétique de la Russie est l'expression la plus caractéristique de sa recherche de puissance depuis la chute de l'empire soviétique. Vous avez raison de citer aussi le domaine de l'eau.

    Pourquoi?

    Depuis plusieurs années, les Etats-Unis et l'Europe s'affrontent sur ce sujet par l'intermédiaire des négociations de l'Accord Général sur le Commerce des Services (AGCS) qui doivent se terminer en décembre 2005 lors de la réunion de l'Organisation Mondiale du Commerce à Hong-Kong. Dans cette partie de bras de fer, chacun défend ses intérêts en fonction de ses points forts. L'Union européenne revendique que les services dits d'environnement dont le captage et épuration de l'eau soit prise en compte par l'AGCS. Cette revendication n'est pas étrangère au fait que les plus grandes firmes de ce secteur soient européennes. A contrario, les Etats-Unis, qui n'ont pas encore réussi à s'emparer du leadership du marché mondial par leur propre dynamisme industriel, ne cessent de répéter que ces services ne tombent pas sous la coupe de l'AGCS, étant "fournis dans le cadre de l'exercice du pouvoir gouvernemental". L'argumentation nord-américaine est d'autant plus paradoxale que les autorités américaines sont les plus ardents partisans de la déréglementation et donc de la privatisation des services publics. On peut légitimement se poser la question si les campagnes de protestation véhémentes, lancées par des ONG comme Public Citizen, et concentrée sur les cibles Suez et Veolia, ne sont pas le rideau de fumée qui masque le combat que se livrent Européens et Américains sur la libéralisation des services.

    Qu'est-ce que la guerre cognitive? Comment la différencier de la propagande d'Etat, pure et dure, des années 1930/1940?

    La guerre cognitive est l'expression la plus moderne de la guerre. Contrairement aux opérations de propagande qui ont dominé les grands conflits du XXème siècle, la guerre cognitive ne traduit pas une volonté de persuasion par une argumentation directive mais une démarche indirecte fondée sur l'influence. La principale arme en est la connaissance. Dans cette guerre sans champ de bataille, le plus fort est celui qui oblige l'autre à accepter tacitement sa domination, sans coup férir. La manière dont les Etats-Unis font pression en amont pour imposer à leurs vassaux leurs règles du jeu dans de nombreux secteurs économiques, est souvent à décrypter sous l'angle de la guerre cognitive. Aujourd'hui, les pays qui marquent des points décisifs sont ceux qui ont su bâtir une stratégie de puissance géoéconomique sur le moyen/long terme. Les autres pays subissent de facto cette nouvelle configuration des relations internationales depuis la disparition des Blocs. S'ils veulent maîtriser leur devenir, ils devront tôt ou tard réfléchir à leur propre approche de la notion de puissance par la guerre cognitive.

    «Aujourd'hui, l'Etat français est très mal armé pour identifier les manœuvres financières menaçant nos intérêts économiques. Il n'est pas le seul dans ce cas.»

    Quelles sont les implications pratiques pour la diplomatie économique ou informelle des États?

    Que ce soit pour la diplomatie économique ou la diplomatie informelle, l'Etat Stratège n'est plus un non-sens. Pour bâtir une bonne diplomatie économique, les pouvoirs politiques d'un Etat doivent avoir la capacité de réformer les principes de gouvernance, en incluant ces nouvelles problématiques. Des cabinets américains comme Ernst and Young sont déjà en train de préparer des offres de service allant dans ce sens. Ils n'hésitent pas à utiliser de la compétence française pour y parvenir. Je pense notamment à une méthodologie conçue par une ancienne magistrate et un consultant en intelligence économique qui vise à identifier les points faibles financiers d'une entreprise. Mais ne nous trompons pas d'ordre de grandeur, la diplomatie économique est la face émergée de l'iceberg. Il ne faut pas oublier la face immergée. Le monde de la finance en constitue l'une des parties les lus importantes. C'est le monde le plus opaque et le moins contrôlé de l'ensemble de l'économie de marché. Qui note les brokers de Wall Street et de la City ? Et c'est pourtant ce monde-là qui cherche à vendre aux entreprises les règles de conduite sur la transparence financière. A ce propos, notons que l'opacité financière de l'économie chinoise renforce le caractère incontrôlable de ces dynamiques informelles. Aujourd'hui, l'Etat français est très mal armé pour identifier les manœuvres financières menaçant nos intérêts économiques. Il n'est pas le seul dans ce cas.

    Le rôle de la Web a-t-il changé les règles de la guerre?

    Il est en train de subvertir les règles de la guerre cognitive telle qu'elle a été pratiquée lors du siècle précédent. Le faible a de nouveau les moyens de se battre contre le plus fort et même de vaincre celui-ci. A côté de l'art de l'intoxication pratiquée par les Britanniques contre Hitler et de la désinformation mise en œuvre par les Soviétiques, l'art de la polémique est un nouveau champ d'action sur lequel les Français n'ont pas fini de surprendre car c'est leur principale culture du combat.

    Quel a été le feedback de votre bouquin en France et en Europe?

    La cible à atteindre était les personnes qui s'intéressent à la question, en particulier dans le monde de la Défense au sens large du terme. Leur réaction a été plutôt positive. Il reste à sensibiliser la population la plus stratégique, à savoir les milieux patronaux qui en France en sont restés encore à une vision très idéologique des rapports de force économiques (luttes sociales, réduction des charges fiscales). Abrités derrière le dynamisme de l'économie américaine, les patrons français ont construit leurs schémas de pensée dans le périmètre occidental, sans anticiper les nouvelles formes de rapports de force géoéconomiques.

    Christian Harbulot en bref
  • 52 ans (2005)
  • Diplomé par l'Institut d'Études Politiques de Paris ; Licence d'Histoire par l'Université de Paris VII, DEA d'analyse comparée des systèmes politiques à l'Université de Paris I
  • Co-fondateur et directeur de l'École de Guerre Économique ; Directeur associé du cabinet Spin-Partners
  • Membre du groupe de travail "Référentiel de l'Intelligence Économique" réuni par Alain Juillet au Secrétariat Général de la Défense Nationale (2004-2005)
  • Conseiller personnel de Henri Martre, président du groupe "Intelligence Économique et Stratégie des Entreprises" au Commissariat Général du Plan (1992-1994)
  • Courriel: harbulot@ege.fr
  • Le livre: www.spinpartners.fr/content/view/65/
  • Sites de référence

    École de Guerre Économique : www.ege.fr

    Site infoguerre : www.infoguerre.com

    Spin-Partners : www.spinpartners.fr/index.php


    Autres Ouvrages de Christian Harbulot

    La France a-te-elle une stratégie de puissance économique, Éditions LaVauzelle, 2004, co-auteur

    La Guerre Cognitive - L'arme de la connaissance, Ed. LaVauzelle, 2002, co-auteur

    La France doit dire non, Ed. Plon., 1999, co-auteur avec le Général Pichot-Duclos

    La Machine de guerre économique, Economica, 1992


    Articles récents de référence

    De la légitimité de la guerre cognitive, Revue de l'Institut de Recherches Stratégiques, janvier 2005

    L'intelligence économique : le passage à l'acte, Revue de la Défense Nationale, décembre 2004

     
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