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Oligopólio ao quadrado

Dominar a dobrar - mais um palavrão para o "economês": oligonomia.

Steve Hannaford, baseado em Swarthmore, Pennsylvania, nos Estados Unidos, lançou um blogue em que cunhou o conceito de oligonomia, e onde vigia o crescente domínio simultâneo da oferta e da procura por um pequeno punhado de empresas ou grupos

Sítio Oligopoly Watch | Artigo "Both Sides Now" na revista Harvard Business Review (Março 2005)

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de Gurusonline.tv, Junho 2005

São os novos oligarcas do mercado em muitos sectores-chave. Um punhado de empresas ou grupos que controlam pelo lado da procura e da oferta - misturam o que em "economês" se designa por situações de oligopólio (um mercado controlado por poucos vendedores) e de oligopsónio (por poucos compradores). Têm a chave das portas de ambos os lados - impõem condições leoninas aos clientes (em termos de preço) e aos fornecedores (no esmagamento das margens destes). São hoje reconhecidos à vista desarmada em sectores como a distribuição (o Wal-Mart é um dos casos de estudo mais notório à escala mundial) e o agro-alimentar, e cada vez mais nos media, nas bebidas, na indústria da música, no mundo editorial, na energia, à medida que a concentração, através de fusões, aquisições e falências se tem acelerado.

Dicionário de "Economês"
Oligonomia: verificam-se em simultâneo as situações de oligopólio (domínio por um punhado de vendedores pelo lado da oferta, gerando poder sobre os clientes) e de oligopsónio (domínio por um punhado de compradores pelo lado da procura, gerando poder sobre os fornecedores).

O especialista Steve Hannaford lançou um blogue de vigilância sobre este domínio ao quadrado, tendo cunhado o conceito de "oligonomia". O glossário de novos termos a tomar nota e a lista de sectores e empresas debaixo de olho podem ser consultadas em www.oligopolywatch.com, lançado em 2002 por este doutorado na Universidade de Toronto. Uma pequena nota numa edição deste ano da Harvard Business Review (Edição de Março de 2005, na secção "Forethought") trouxe-lhe o reconhecimento pelos pares da Academia. Aos 56 anos, Steve conta com uma carreira de articulista, consultor e conferencista, particularmente focalizado na reengenharia de processos e na criação de equipas, sendo autor de livros nestas áreas. O blogue tem como subtítulo uma frase bem expressiva: "As mais recentes manobras dos novos oligopólios e o que eles significam".

Menos chatices do que ser monopólio

"A vantagem de ser o elemento central para os dois lados do mercado é uma enorme tentação e sempre existiu. Mas creio que nos últimos 10 a 15 anos se tornou numa estratégia diria 'semi-consciente' para muitas empresas e grupos. Estas situações de oligonomia dominada por duas, três ou quatro empresas, crescentemente corrente, é até mais vantajosa do que querer ser monopólio, o que acarreta enormes problemas legais e dores de cabeça como se tem visto no caso da Microsoft", explica-nos Hannaford. "É preferível ter um punhado de concorrentes, previsíveis, com quem se divide o domínio dos dois lados do mercado - uma situação que os reguladores têm deixado passar e crescer", acrescenta este especialista.

«A vantagem de ser o elemento central para os dois lados do mercado é uma enorme tentação e sempre existiu. Mas creio que nos últimos 10 a 15 anos se tornou numa estratégia diria 'semi-consciente' para muitas empresas e grupos».

Em muitos casos não é nenhuma obra demoníaca, mas simplesmente "o único movimento defensivo que grandes empresas podem fazer para sobreviver". Surge como "imperativo" face à complexidade matricial dos mercados, em que os rivais tendem a surgir das mais diversas proveniências, fora do próprio sector nominal em que se está.

A própria revolução digital que era suposta tornar o mercado ainda mais aberto, começa a ver surgir alguns oligonómios da Web. "Sonhou-se com o acesso de todos. Em certa medida, isso deu-se, mas não suficientemente para fazer a diferença. Ironicamente, a Era Digital permitiu até que os grandes grupos ainda se centralizassem mais, tornou as situações de oligonomia multinacional ainda mais fáceis", comenta Hannaford.

Pessimismo em termos de inovação

Em termos de inovação no mercado, Steve é pessimista - acha que a oligonomia tem asfixiado progressivamente o ambiente. "Está a tornar-se cada vez mais difícil. Os inovadores estão cada vez mais condenados a duas saídas - ou serem comprados pelos oligopólios ou esmagados por rivais que lhes roubam as ideias. Sem dúvida que há excepções, e ocasionalmente surgem inovadores que conseguem tornar-se grandes. Uma das fugas é a estratégia de ser 'boutique' nunca crescendo em demasia para dar nas vistas", refere. As situações de oligonomia têm, também, gerado o que Hannaford classifica de oferta baseada na "pseudo-variedade" que confunde o cliente ou consumidor, distraindo-o da verdadeira variedade fornecida por inovadores.

"O perigo para a sociedade é o facto de um punhado de poderosas empresas tenderem a rescrever as leis do mercado - que é suposto ser 'livre' - segundo o seu entendimento", frisa o nosso interlocutor que é interveniente activo nos fora sobre democracia.


Quem é Steve
Steve tem um doutoramento pela Universidade de Toronto e é um escritor em áreas técnicas e de negócios com mais de 300 artigos publicados em revistas, para além de "White Papers", guias técnicos e newsletters económicas. É co-autor de Workflow Reengineering (1996) e de Teams and the Graphic Arts (1999). É consultor em reengenharia de processe e criação de equipas. Lançou o OlipolyWatch em 2002.
Contacto de Steve por e-mail: hannaford@comcast.net

 
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