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PARA ONDE VAI A CHINA

Editado por Jorge Nascimento Rodrigues, editor de www.gurusonline.tv
GEOREPORT Gurusonline.tv, Inverno 2007
Emitido em: Janeiro de 2007

Três abordagens sobre a China:
- O Duelo do Pacífico, entre a China e o Japão - um ponto de situação;
- A emergência das multinacionais chinesas;
- Uma empresa global chinesa considerada a mais dinâmica nas 'global companies' (glocos, da Goldman Sachs);

Complementarmente compre e leia Made in China, de Zhibin Gu


O duelo do Pacífico

O Dragão voltou a ser economicamente mais forte que o Samurai. Desde 1998 que ocorreu a segunda grande inversão de poder económico desde 1820. China e Japão trocaram por duas vezes as posições de liderança na Ásia do Pacífico.

A confirmarem-se os cálculos do economista holandês Angus Maddison, o especialista da OCDE sobre economia mundial, a barreira simbólica já foi galgada em 1998, por coincidência vinte anos depois do início das reformas iniciadas na China por Deng Xiaoping.

Desde há oito anos que o "dragão" regressou à liderança económica na Ásia do Pacífico, ultrapassando o "samurai", em termos de PIB (medido em paridade de poder de compra, ppc). Refira-se que 1998 e 1999 foram precisamente os anos em que o Japão esteve em recessão, com taxas de crescimento negativo.

O choque psicológico

«A partir de 1998, o fosso entre a China e o Japão não tem parado de aumentar: em 2006, o poderia económico chinês já é 2,6 vezes maior do que o japonês. Segundo as projecções de Maddison, será de quase 7 vezes em 2050.»

E a partir de 1998, o fosso entre a China e o Japão não tem parado de aumentar: em 2006, o poderia económico chinês já é 2,6 vezes maior do que o japonês. Segundo as projecções de Maddison, será de quase 7 vezes em 2050. O alargamento desta distância derivará do facto de se estimar que, em 2030, a China já terá ultrapassado os Estados Unidos e a União Europeia na liderança mundial do PIB em ppc.

É a política, estúpido!

Os economistas ocidentais discutem hoje em que medida estas projecções se realizarão efectivamente e se o Japão não voltará a surpreender, como o fez entre 1970 e 1990, quando o seu capitalismo oriental foi considerado modelo de management e globalização. Alguns acalentam um cenário pessimista de que a economia chinesa, sobreaquecida ao limite, acabará por ter uma aterragem forçada, pouco suave, à mistura com perca de coesão social e regional do actual modelo de transição para o capitalismo.

As discussões mais acaloradas centram-se sobretudo no terreno económico de curto prazo. A polémica sobre a China desenrola-se entre dois pontos: como é que o governo vai gerir a questão da revalorização da sua moeda em relação ao dólar (o especialista chinês Zheng Chaoyu estima em 6% ao ano entre 2006 e 2010) e fazer uma viragem para maior consumismo doméstico à medida que cresce a nova classe média (250 milhões, 19% da população, segundo a Academia de Ciências Sociais da China; poderão ser 40% em 2020), como foi prometido desde Dezembro de 2004. Sobre o Japão, o debate focaliza-se em como irá conseguir manter o seu crescimento acima dos 2% (desde 2004), consolidando a saída do período de deflação e de taxas de juro reais negativas, e cumprir a meta de controlar os gastos públicos de modo a continuar a baixar o défice primário orçamental (desceu de 6,7% do PIB em 2002 para 4% em 2006).

No entanto, segundo os analistas ouvidos por Gurusonline, os problemas decisivos não serão económicos, mas derivam do terreno político.

China: O paradoxo capitalista

Na China, assomem dois grandes problemas "estruturais", diz Zhibin Gu, um consultor chinês de Shenzhen, autor de 'Made in China' (publicado em Portugal) e de 'China e a Nova Ordem Mundial' (um livro publicado em Dezembro de 2006 na Califórnia e que tem trazido problemas políticos ao autor).

A primeira questão seria o problema da burocracia, diz Gu. Este segmento social dominante abarca hoje 5,3% da população, em comparação com 0,1% na última dinastia Quing que caiu com a implantação da República no início do século XX. Dito de outro modo: há hoje 1 burocrata por cada 19 chineses, enquanto que no tempo do último imperador haveria 1 por cada 800 chineses! John Thornton, que foi presidente da Goldman Sachs, corrobora este colete-de-forças no artigo "China's Leadership Gap" na última edição da revista Foreign Affairs (edição de Novembro/Dezembro de 2006), ao falar de uma "nomenklatura" que faz carreira e se reproduz "dentro do sistema" (o que os chineses chamam de 'tizhinei') por oposição aos que estão fora ('tizhiwai').

A grande doença chinesa

«Há hoje 1 burocrata por cada 19 chineses, enquanto que no tempo do último imperador haveria 1 por cada 800 chineses!»

É este peso burocrático que dá à transição capitalista na China "uma imagem de contradição em si mesma", de um paradoxo, como nos explica Christopher McNally no recém-publicado 'Capitalism in the Dragon´s Lair: China's Emergent Political Economy'.

A segunda questão é o problema de uma solução inovadora para completar o projecto de "uma única China" no século XXI, que permitiria terminar o ciclo de humilhação da grande potência chinesa iniciado no século XIX. Zhibin Gu propõe abertamente uma federação entre a República Popular e Taiwan, garantindo a esta última ilha uma maior autonomia que a concretizada em Hong Kong e Macau, sob o famoso lema, "um país, dois sistemas", que Deng Xiaoping vendeu a Margaret Thatcher e aos portugueses. Gu fala agora de "um país, múltiplos centros do poder".

Para consolidar a ascensão de grande potência, a China precisa de gerir adequadamente a sua estratégia de "go global", diz-nos McNally, que também lidera o projecto "Transição da China", no East-West Centre, em Honolulu. Este "go global" das multinacionais estatais chinesas e do governo de Beijing tem duas dimensões interligadas: "a satisfação da obsessão de segurança energética" e de acesso às matérias-primas e "commodites" estratégicas - que tem explicado as políticas de investimento e alianças bilaterais em África, Médio Oriente, Ásia Central e América Latina - e "o estabelecimento de uma ordem internacional multilateral, em que possa exercer um papel relevante".

A estratégia global

O "go global" das multinacionais estatais chinesas e do governo de Beijing tem duas dimensões interligadas: "a satisfação da obsessão de segurança energética" e de acesso às matérias-primas e "commodites" estratégicas e "o estabelecimento de uma ordem internacional multilateral, em que possa exercer um papel relevante.

Neste intento estratégico, McNally considera que há um largo "consenso" na China, entre a "nomenklatura" do Partido, do Governo e do sector empresarial do Estado, os novos empresários privados e a classe média emergente. No entanto, Yu Yongding, da Academia de Ciências Sociais da China, não deixou de sublinhar, num Fórum euro-chinês em Bruxelas, em 2006, que a falta de coesão social (para utilizar uma expressão europeia) poderá beliscar este "consenso": "A meu ver, o calcanhar de Aquiles da reforma económica é esse fosso colossal na distribuição do rendimento. A China já ultrapassou o limiar da desigualdade que pode fazer perigar o desenvolvimento económico e a estabilidade social".

Japão: a herança do passado

Para o samurai as questões políticas são, também, decisivas.

Desde o "choque Morita", quando o então líder da Sony avisou em 1992 contra o declínio (que viria a surgir com os crescimentos do PIB abaixo dos 2% entre 1992 e 1995), que o Japão tem tentado cortar politicamente com o passado.

Foi com a direcção do primeiro-ministro Koizumi entre 2001 e Outubro de 2006 (quando foi substituído pelo novo líder do Partido Democrata Liberal) que essa viragem foi mais clara. O principal feito de Junichiro Koizumi, diz-nos Richard Katz, editor do The Oriental Economist Report e autor do "best-seller" 'A Fénix Japonesa' (2002), "foi ter estabelecido um consenso nacional de que não haverá retoma no Japão sem uma reforma estrutural e ter conseguido aumentar o poder do primeiro-ministro face à burocracia e ao seu partido".

Seguiram-se, por isso, as várias reformas económicas que implementou: redução do crédito bancário mal-parado, nova lei de governação empresarial (mais direitos para os accionistas, mais transparência, facilitação de "spin-offs", etc.), reorganização da poderosa instituição de poupança postal (um processo de divisão em quatro novas entidades que se estenderá entre 2007 e 2017) e desregulação, ainda que "nestes dois últimos casos, haja ainda mais retórica do que resultados", ironiza Katz.

O pecado japonês

O passado imperial do Japão, particularmente entre 1894 e 1945, tem voltado ao de cima e lançado óleo na fogueira regional. O que "atrapalha" os negócios, num contexto em que a China é o segundo maior mercado de exportação (depois dos EUA) dos fabricantes japoneses e o primeiro fornecedor, desde 2004, do mercado japonês (tendo ultrapassado os EUA).

O analista norte-americano não crê que, com a subida ao poder de Shinzo Abe, "se regresse à turbulência dos anos anteriores a 2001". A segurar a animação económica estará o regresso do negócio imobiliário (depois de uma queda de 70%) e o disparo do "cluster" do entretenimento ("anime" é a nova "buzzword", a partir de "amimated entertainment"), diz um relatório recente da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia. Mas a voz oficial da poderosa JETRO-Organização de Comércio Externo do Japão, alertava contra o perigo de "fatiga de reforma" e apelava à necessidade de continuar o "momentum positivo", nas semanas que precederam a entronização de Abe.

O outro problema é mais complexo. A JETRO chama-lhe de renascimento de um "sentido patriótico dentro do Japão", que tem deixado os vizinhos, especialmente a China, Taiwan e a Coreia do Sul "desconfortáveis e desconfiados". Dito a cru, sem linguagem diplomática, o passado imperial do Japão, particularmente entre 1894 e 1945, tem voltado ao de cima e lançado óleo na fogueira regional. O que "atrapalha" os negócios, num contexto em que a China é o segundo maior mercado de exportação (depois dos EUA) dos fabricantes japoneses e o primeiro fornecedor, desde 2004, do mercado japonês (tendo ultrapassado os EUA).

A "GUERRA" PROLONGADA ENTRE O DRAGÃO E O SAMURAI
DOIS SÉCULOS DE INVERSÃO DE POSIÇÕES NA ECONOMIA MUNDIAL
(Valores do PIB em mil milhões de dólares em paridade de poder de compra, 1820-2050)
Ano
País
PIB
Ranking mundial
% do PIB mundial
1820
China
229
32,9
Japão
21
3
1913
China
241
8,9
Japão
72
2,6
1973
Japão
1.240
7,7
China
740
4,6
1998
China
3.870
11,5
Japão
2.580
7,7
2006
(estimativa)
China
10.500
16
Japão
4.070
6
2050
(projecção)
China
44.500
20,3
Japão
6.700
3
Nota: O "ranking" de Angus Maddison considera a Europa como o equivalente à União Europeia a 15. A Europa ocupava o 2º lugar em 1820 (depois da China), o primeiro em 1913, o 2º em 1998 (depois dos EUA) e o 1º em 2006 (com uma diferença ligeira superior aos EUA, que voltará à primeira posição em 2007), e estará na 4ª posição em 2050 (depois da China, EUA e Índia).
Fonte: Angus Maddison, OCDE, The World Economy, 2001, 2003, 2006

2. As multinacionais vermelhas

Carteis e grupos do sector empresarial do Estado chinês e multi-milionários privados começam a repartir os lugares cimeiros dos "rankings" mundiais.

DESTAQUES
- Empresas globais duplicaram em seis anos. O número de grandes empresas chinesas na lista das 500 globais da Fortune passou de 3 em 1995 para 10 em 2000 e 20 em 2006, ultrapassando em 2005 o número das sul-coreanas. Em 2010, o governo chinês pretende ter 50 grandes nas 500, um objectivo estratégico de aproximação ao peso actual da presença japonesa
- Os multi-milionários chineses triplicaram em dois anos. Passaram de 3 em 2004 para 15 este ano na lista organizada pela revista Forbes para fortunas acima de mil milhões de dólares.
- Maioria das campeãs emergentes. Dos 100 novos "desafiadores globais" escolhidos pelo The Boston Consulting Group, 44 são empresas chinesas. Mais do dobro das indianas e mais do triplo das brasileiras.

A China alargou a distância em relação à Coreia do Sul em número de grandes empresas globais nas 500 maiores do mundo listadas pela revista Fortune na sua edição de 2006. O ano de viragem havia sido em 2005, quando a China listou 16 multinacionais contra 11 sul coreanas, fosso que se alargou, este ano, com 20 chinesas contra 12 sul coreanas.

E, segundo a consultora americana Bain & Co, num estudo revelado esta semana ('Blocking China's Fast Lane', o governo chinês teria definido o objectivo político de chegar às 50 em 2010, aproximando-se, rapidamente, do peso que o Japão detém hoje nas 500 globais.

Em termos de comparação, refira-se que Portugal não tem nenhuma empresa nas 500 globais, enquanto que a Espanha conta com nove, mais uma do que em 2005. Em relação ao núcleo duro dos quatro países emergentes, baptizados de BRIC pela consultora Goldman Sachs, a correlação de forças, a favor da China, é clara: 20 chinesas, 6 indianas, 5 russas e 4 brasileiras.

Dragões da "nomenklatura"

O conjunto dessas 20 firmas globais chinesas pertencem ao que poderíamos designar por sector empresarial do Estado, com destaque para o controlo pela "nomenklatura" do Partido Comunista dos sectores da energia, banca e seguros, automóvel e telecomunicações.

Os três maiores grupos estatais chineses situam-se na área da energia - a Sinopec, no petróleo e gás, facturando cerca de 100 mil milhões de dólares por ano, a State Grid, na electricidade, com cerca de 87 mil milhões, e a China National Petroluem, com 83 mil milhões - e estão entre as 40 maiores da lista das 500 globais, à frente de multinacionais japonesas e sul-coreanas bem conhecidas, como a Nissan, Samsung, Matsushita, Sony, LG, Hyundai e Toshiba.

Um outro dado revelador desta afirmação geoeconómica foi divulgado num estudo do The Boston Consulting Group, identificando 100 'promessas' de campeões globais do futuro. No relatório, extensamente intitulado 'The New Global Challengers: How 100 top companies from rapidly developing economies are going global - and change de world', a consultora revelava que 44 'nomeações' pertenciam à China, contra 21 na Índia, 12 no Brasil e 7 na Rússia.

Nesses 'novos desafiadores' estão grupos estatais, como a Sinopec (a que já nos referimos), a China Mobile (líder mundial em operadores de telemóveis, com 290 milhões de clientes) ou a Haier (nos electrodomésticos), mas, também, revelações fruto da iniciativa privada empreendedora, como a Legend, hoje conhecida por Lenovo (que se tornou famosa pela aquisição do negócio de computadores pessoais da IBM em 2005), que foi criada em 1984 por 11 cientistas da computação em Pequim com 25 mil dólares no bolso.

A partilha do bolo

O bolo da riqueza chinesa, criado pela transição capitalista dos últimos trinta anos, está hoje repartido em três bocados de peso, por ora, idêntico. Um modelo 'misto' em que, segundo o analista chinês Zhibin Gu, 1/3 é dominado pelo sector empresarial do Estado, apelidado de "dragões vermelhos"; outro terço nas mãos de 560 mil subsidiárias estrangeiras que envolveram um investimento directo, até 2006, de 640 mil milhões de dólares; e o terço restante controlado por 40 milhões de empreendedores e empresários nascidos e residentes na China, que dão emprego a 25% da população activa urbana.

Apesar de considerado um "apêndice" da "economia mercantil planificada" - assim definido literalmente, no documento sobre a reforma da estrutura económica, oficialmente aprovado pelo Comité Central do Partido Comunista da China em 1984 -, o sector privado tem, de facto, "crescido meteoricamente", nas palavras de Gu.

Os multi-milionários

Cerca de 400 chineses já são considerados ricos à escala mundial, segundo uma listagem específica produzida anualmente pela revista Forbes. Neles se destacam hoje 15 multi-milionários (não incluindo os de Hong Kong e de Macau, ou os residentes no estrangeiro), com activos superiores a mil milhões (bilhão) de dólares.

Em termos de comparação, refira-se que na lista dos "World´s Richest People" da Forbes com 793 nomes à escala mundial, Portugal conta apenas com Belmiro de Azevedo (no 350º lugar, à frente daqueles 15 chineses).

No que respeita aos outros BRIC, os multi-milionários repartem-se do seguinte modo: Índia e Rússia com 36 cada um e Brasil com 20. Em dois anos, triplicou o número de super-ricos chineses com mais de mil milhões.

Lista geral na web aqui
Lista dos 400 da China aqui

A nata destes multi-milionários nasceu do "boom" do imobiliário nos últimos quinze anos. Mas incluem-se vários que construíram grupos em sectores tão diversos como o retalho de electrodomésticos, os têxteis, bebidas e alimentos para animais, a energia solar, a farmacêutica, os computadores e a Internet.

Yan Cheung (que dá também pelo nome de Zhang Yin), 49 anos, uma empresária da reciclagem de papel, à frente da Nine Dragons Paper, é considerada, pela última lista dos mais ricos, divulgada pelo Hurun Report, como a maior fortuna privada da China. Para a revista Forbes, seria, no entanto, o jovem vendedor de electrodomésticos, Huang Guangyu (dado também pelo nome de Wong Kwong-hu), 37 anos, fundador da Gome Appliances, o número um.

Outros muito ricos pertencem a uma geração de 'tartarugas marinhas', como os alcunhou um relatório da Harvard Business School ('Report from China: The New Entrepreneurs', divulgado pela HBS Working Knowledge, que depois de estarem expatriados no Ocidente em posições de alto nível científico e técnico, regressaram a casa para 'desovar', criando "start-ups".


3. "Gloco" chinesa lidera dinâmica de globalização: Petrochina

Entre as 10 multinacionais com melhor "performance" global não consta nenhuma empresa japonesa, segundo o indicador "GloCos" (Global companies) da consultora Goldman Sachs para 2006. Sinal dos tempos, a melhor "performance" é apresentada pela PetroChina, sediada em Beijing e cotada em Hong Kong e no NYSE de Nova Iorque.

No TOP 10 seguem-se três empresas norte-americanas (Dell, Citigroup, Microsoft), duas empresas da Coreia do Sul (Samsung e Hyundai), três europeias (HSBC, Nokia e Vodafone) e uma anglo-australiana (Rio Tinto). No grupo das cinco com maior "performance" global contam-se a PetroChina, a Dell, a Sansung, a Hyundai e o The Hongkong and Shanghai Banking Corporation, actualmente sediado em Londres.

O conceito de "GloCos" foi lançado por aquela consultora em 2003 com base em oito critérios que atestam a efectiva globalização - e não apenas multinacionalização - da empresa: estratégia global assumida, marca global, ser encarada também como "empresa local", flexibilidade, uso de tecnologia, boas práticas de emprego no local de trabalho em qualquer parte do mundo, estratégia definida para os "emergentes" (particularmente os "BRIC", um conceito também criado pela Goldman para o grupo de potências China, Índia, Brasil e Rússia), e responsabilidade social.

Fruto dessa abordagem, a consultora listou 27 empresas com esse potencial, e três anos depois voltou a conferir o "ranking". Verificou que tal grupo de multinacionais superou no mercado mundial os seus indicadores domésticos no período de 1996 a 2005, à excepção da Coca Cola. No caso das 10 mais, à excepção da Nokia e da Microsoft, atingiram, mesmo, dois dígitos na "performance" comparada. Sintoma da situação japonesa, apenas uma multinacional daquele país surge na lista das 27 - a Sony, com uma "performance" comparada muito abaixo da média do grupo.

TOP 10
Performance global comparada com indicadores domésticos

(1996-2005, % anualizada)
PetroChina (China)
39,8
Dell (EUA)
30,3
Samsung (Coreia Sul)
17,8
Hyundai (Coreia Sul)
13
HSBC (RU)
11
Citigroup (EUA)
10,5
Rio Tinto (RU/Austrália)
10,5
Nokia (Finlândia)
10,3
Microsoft (EUA)
9,4
Vodafone (RU)
7,8
Fonte: Goldman Sachs, Maio 2006 (Global Economics Paper, nº 141)

LISTA DAS 27 "glocos"
(escolhidas em 2003)
PetroChina (China)39,8
Dell (EUA)30,3
Samsung (Coreia Sul)17,8
Hyundai (Coreia Sul)13
HSBC (RU)11
Citigroup (EUA)10,5
Rio Tinto (RU/Austrália)10,5
Nokia (Finlândia)10,3
Microsoft (EUA)9,4
Vodafone (RU)7,8
BP (RU)7,7
SAP (Alemanha)7,3
Wal-Mart (EUA)7,2
Yukos (Rússia)6,3
Cisco (EUA)6,2
IBM (EUA)5,4
Nestlé (Suíça)5,1
Unilever (RU/Holanda)4,6
GE(EUA)4,4
Procter & Gamble (EUA)3,8
Sony (Japão)3,7
AIG (EUA)3,3
Volkswagen (Alemanha)2,1
Glaxo-GSK (RU)1,9
Nike (EUA)1,6
Pfizer (EUA)0,9
Coca Cola (EUA)- 6,8
Nota: Foram sugeridas adicionalmente em 2006 - British Airways, Google,
Honda, Infosys, Johnson & Johnson. Motorola e Toyota.

© Janelanaweb.com, gurusonline.tv, jorgenascimentorodrigues

 
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